63 mil para 213 milhões: quantos bombeiros militares o Brasil tem, estado por estado
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou a segunda edição do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil. São 160 páginas que contam, uma a uma, as pessoas que trabalham na segurança pública brasileira: quantas são, onde estão, em que posto e quanto recebem.
O total do país é de 818.521 profissionais na ativa, distribuídos em dez corporações federais, estaduais e municipais. Dentro desse número, uma fatia que interessa diretamente a quem veste a farda vermelha: 63.002 bombeiros militares.
Esta é a primeira de três matérias sobre o que o levantamento mostra a respeito dos Corpos de Bombeiros. Aqui, o efetivo.
O número nacional
63.002 bombeiros militares na ativa, com posição dos dados em março de 2025.
Em 2023, na edição anterior do estudo, eram 60.155. O crescimento no biênio foi de 4,7% — 2.847 militares a mais. Para efeito de comparação dentro das forças estaduais no mesmo período:
| Corporação | 2023 | 2025 | Variação |
|---|---|---|---|
| Polícia Militar | 404.871 | 413.319 | +2,1% |
| Polícia Civil | 95.908 | 96.902 | +1,0% |
| Corpo de Bombeiros | 60.155 | 63.002 | +4,7% |
| Perícia Oficial | 17.991 | 19.340 | +7,5% |
| Polícia Penal | 94.673 | 91.850 | −3,0% |

Um detalhe metodológico que precisa vir antes de qualquer leitura: São Paulo não entra nessa conta. O portal da transparência paulista publica o efetivo do Corpo de Bombeiros somado ao da Polícia Militar, porque as duas corporações continuam na mesma estrutura administrativa. O próprio estudo recorre à Pesquisa Perfil das Instituições de Segurança Pública, do Ministério da Justiça, para estimar o CBMSP em 8.274 servidores no ano-base 2024.
Com esse número, São Paulo teria o segundo maior efetivo de bombeiros militares do Brasil.
0,3 por mil habitantes
A taxa nacional é de 0,3 bombeiro militar para cada mil habitantes. Na Polícia Militar, a mesma conta dá 1,9. Na Polícia Civil, 0,5.
O estudo faz questão de lembrar por que esse número preocupa: a missão do bombeiro militar hoje vai muito além do combate a incêndio. Atendimento pré-hospitalar de urgência, salvamento aquático, resgate em altura, busca em estruturas colapsadas, resposta a desastres, fiscalização preventiva de edificações, defesa civil, e cada vez mais eventos climáticos extremos.
A distribuição pelo país é o que chama atenção:
- Distrito Federal: 1,9 por mil — mais de seis vezes a média nacional
- Amapá: 1,7 por mil
- Oito Estados com 0,3 ou menos: Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina
- Ceará, Maranhão, Pernambuco e Piauí: 0,2 por mil, as menores taxas do país
São Paulo aparece como 0,0 na tabela pelo motivo já explicado, e não porque não haja bombeiro no Estado.
A taxa de cada unidade da federação
O estudo publica a taxa com uma casa decimal, então Estados na mesma faixa aparecem empatados. Do maior para o menor:
| UF | Por mil hab. | UF | Por mil hab. | |
|---|---|---|---|---|
| Distrito Federal | 1,9 | Amazonas | 0,3 | |
| Amapá | 1,7 | Bahia | 0,3 | |
| Acre | 0,8 | Espírito Santo | 0,3 | |
| Rio de Janeiro | 0,7 | Minas Gerais | 0,3 | |
| Roraima | 0,7 | Pará | 0,3 | |
| Mato Grosso do Sul | 0,6 | Paraná | 0,3 | |
| Alagoas | 0,4 | Rio Grande do Norte | 0,3 | |
| Goiás | 0,4 | Rio Grande do Sul | 0,3 | |
| Mato Grosso | 0,4 | Santa Catarina | 0,3 | |
| Paraíba | 0,4 | Ceará | 0,2 | |
| Rondônia | 0,4 | Maranhão | 0,2 | |
| Sergipe | 0,4 | Pernambuco | 0,2 | |
| Tocantins | 0,4 | Piauí | 0,2 | |
| BRASIL | 0,3 | São Paulo | sem dado |

Treze unidades da federação ficam acima da média nacional e treze ficam na média ou abaixo. O grupo do topo tem uma característica em comum: são, na maioria, Estados de população pequena, em que qualquer corporação estruturada gera taxa alta. O Distrito Federal é caso à parte, com corporação grande e território reduzido.
No pé da tabela estão quatro Estados do Nordeste com 0,2, e junto deles aparecem Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia e Santa Catarina em 0,3 — unidades com população grande, onde a mesma taxa significa efetivo absoluto muito maior e demanda proporcionalmente maior.
Onde está a tropa
Em números absolutos, o efetivo se concentra de forma acentuada:
| Maiores efetivos | Militares |
|---|---|
| Rio de Janeiro | 12.875 |
| São Paulo (Perfil 2024) | 8.274 |
| Minas Gerais | 5.940 |
| Distrito Federal | 5.734 |
| Bahia | 3.748 |
| Menores efetivos | Militares |
|---|---|
| Roraima | 503 |
| Piauí | 509 |
| Tocantins | 657 |
| Acre | 680 |
| Rondônia | 709 |
O caso fluminense é o mais notável do levantamento. O Rio de Janeiro sozinho responde por 20,4% de todo o efetivo de bombeiros militares do Brasil. Um em cada cinco bombeiros militares do país está no CBMERJ.

O que o número não diz
Efetivo total é um retrato de folha de pagamento, não de disponibilidade operacional. Dentro desses 63.002 estão militares em função administrativa, em curso, em licença, em restrição médica, em cargo de direção. Quem está de plantão numa noite qualquer é uma fração disso, e nenhum portal de transparência publica essa fração.
O próprio estudo trata o assunto com cuidado, e dedica uma seção à pergunta “qual o efetivo ideal?” para concluir que ela não tem resposta única. Citando Wilson e Grammich, o levantamento sustenta que dimensionar corporação exige olhar simultaneamente demanda por serviço, geografia, turnos, estrutura de apoio e metas pactuadas — não a aritmética de x profissionais por mil habitantes.
Essa ressalva não anula o dado. Ela mostra em que altura ele deve ser lido: como ponto de partida do debate sobre dimensionamento, não como sentença.
E aponta para a segunda métrica do estudo, que é onde o serviço de bombeiro aparece com mais nitidez do que na conta populacional: quantos quilômetros quadrados cabem para cada bombeiro militar. Esse é o tema da próxima matéria da série.
Ficha da fonte
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Raio-X das forças de segurança pública do Brasil. 2. ed. São Paulo: FBSP, 2026. 160 p. ISBN 978-65-89596-54-7. Coordenação geral de Renato Sérgio de Lima e Samira Bueno. Disponível em: https://publicacoes.forumseguranca.org.br/handle/fbsp/415
A população brasileira usada na comparação do título (cerca de 213 milhões) vem das estimativas do IBGE enviadas ao TCU em 2025, as mesmas que o estudo usa para calcular as taxas por mil habitantes.
Fontes primárias usadas pelo estudo para o efetivo: portais da transparência dos Estados e do Distrito Federal, com posição em março de 2025 — exceto Ceará (maio/2025), Mato Grosso e Roraima (outubro/2025). Estimativas populacionais do IBGE enviadas ao TCU em 2025.
Ressalvas declaradas pelo próprio levantamento: São Paulo tem o efetivo de bombeiros somado ao da Polícia Militar; Mato Grosso do Sul e Roraima não permitem desagregação por patente; a Bahia não desagrega por sexo.
Perguntas Frequentes
P: Quantos bombeiros militares existem no Brasil?
P: Qual é a taxa de bombeiros por habitante no Brasil?
P: Qual é o maior Corpo de Bombeiros do Brasil?
P: O efetivo de bombeiros cresceu nos últimos anos?
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